sobre blogs e publicações.

Todo mundo sabe a facilidade que é distribuir “conteúdo” na internet. Eu mesmo já tive milhares de blogs e todos eram para divulgar o que eu escrevia, até então eram os meus contos. Foi indo e eu cansei de blog, ninguém lia, eu não lia, não me importava, mas criei um mecanismo paranóico de querer escrever para postar nesse veículo. Amo escrever, porém tenho momentos que preciso de um motivo para realizar isso. Hoje em dia escrevo mais quando a vida pede, quando a dor não é mais suportada, quando não sei escrever o que quero. Com medo das moscas, ia escrevendo só para manter o blog. Mas aí entrei em mais uma paranóia, estava desperdiçando minhas coisinhas, colocando no sol, deixando na chuva, deus nenhum perdoa. Daí para entrar numa mais nova verdade foi o tempo de um bocejo: escrever e colocar na gaveta vale mais do que uma brisa fraca e passageira. É preciso valorizar, sem desperdiçar talento por aí.

Certo é, todo mundo pode sair do mais do mesmo e fazer diferente. A CardosOnline já postava antes mesmo dos blogs existirem, como não haviam blogs em 1998 e a internet não era ah internet, uma panelinha de amigos resolveram distribuir os seus textos por e-mail, surgia o e-zine (?) utilizando de uma linguagem que posteriormente seria utilizada nos blogs. A CardosOnline era composta por Daniel Galera, Clarah Averbuck, dentre outros malditos. Os textos da CardosOnline podem ainda ser baixados aqui ó: http://www.qualquer.org/col/col_arquivo.html, recomendo como petisco ao tomar uma cerveja.

Pois bem, ao falar de publicação via internet e impressos, eu preciso muito falar da mulherzinha de nariz de pugilista da Clarah Averbuck (amo!), a pessoa vivia para escrever esse blog fooda porém já fechado aqui ó: http://brazileirapreta.blogspot.com/, se tornou referência em literatura na internet, publicou livros e o último tem uma edição linda que vem dentro de um vinil com ilustrações da Eva Uviedo. Esse livro se chama Nossa Senhora da Pequena Morte, tem um projeto todo artesanal e bonito, olhem aqui ó: http://www.flickr.com/photos/theeaverbuck/5001966400/. E o Daniel também não parou só na CardosOnline, junto com o Daniel Pellizzari fundou a editora Livros do Mal que num formato simples e econômico  publicava livros para pequena tiragem. Alguns dos livros estão disponíveis, como o fodão Dentes Guardados do Daniel Galera, pode ser lido aqui ó: http://www.ranchocarne.org/pdf/dentes.pdf.

Meios que eu considero geniais para “publicação na internet” são alguns sites que já tem um público grande e são ótimos como o http://www.cronopios.com.br e http://www.germinaliteratura.com.br/. Algo que eu não recomendo é a Revista Ficções que tem um método de escolha dos contos bem vagabunda e atrasa muito com a publicação impressa.

A tentativa com a Cassandra foi a de sair um pouco da rede, tomar um ar sem deixar de usar esse espaço para conquistar lugares que o impresso não chegaria. Queremos agora abranger mais e sair de um formato que tínhamos elaborado, Cassandra vai tomar mais espaço, vai tirar mais uma carta de seu baralho e lançar ao fogo.

Para quem ainda não leu ou para quem quer reler.

Boa viagem:

http://issuu.com/leandromayfair/docs/cassandra

~L.

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Divulgação.

Caso queiram colaborar com a divulgação do zine, encaminham para os seus contatos essa imagem. Agradecemos.

brasília, 4 de fevereiro

tocando pearl jam; brisa calorenta

o título não é um pop-up à-toa, realmente vou falar de divulgação. não pra convencer de que é uma zine maravilhosa, isso é autoevidente. por outro viés, falar do que eu tinha em mente ao imprimir exemplares disso aqui e de como eu não tinha a menor idéia do que ia acontecer. um zine dá um trabalho, que vem dos lugares mais insuspeitados. ao sair distribuindo aos quatro cantos do globo recebi todo tipo de resposta, muitas muito positivas, uma crítica aqui e ali, em geral elogios à iniciativa e ao trabalho gráfico. enviei pra mais ou menos trezentas pessoas por email também, o panfleto acima ajudou muito. enviei dirigidamente, com uma mensagem breve situando, pra alguns escritores mais reconhecidos e a acolhida foi boa. twittei, joguei na wall do facebook encarniçadamente nos sete dias que separam o dia de hoje do dia da divulgação oficial, na próxima edição tatuarei o link. nunca suspeitei de que o trabalho enorme em conceber a revista se prolongaria num esforço colossal de divulgação – que inclui até este mesmo texto, percebam que paradoxal. não sei bem qual é a diferença entre essas estratégias e as de um spam, sei que ao invés de prometermos crescimento peniano miraculoso, garantimos material literário bem pensado e entregue de bandeja pro leitor.

boa leitura, ou releitura;

é o seguinte, adentrem no espelho. cliquem aqui.

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Cassandra: Leitura de mão, desfaz trabalhos, traz de volta a pessoa amada.

Quando o Leandro e eu decidimos que o material trocado por e-mail, a princípio os minicontos dele resenhados por mim, seriam a carne de um veículo independente, não tínhamos como imaginar que a nossa filha teria vontades e nojos próprios depois de crescida. Hoje, a Cassandra – que mesmo no trato íntimo não dispensa ser chamada de Madame – é uma senhora grisalha de uma ciganice mais oblíqua que dissimulada. Aos que adentram sua tenda espalhafatosa, subjuga com ardis quase imperceptíveis: do cheiro carregado dos incensos à profusão de pombos e sedas coloridas. As verdades lhe acorrem nuas à língua e a Madame nunca as esconde. As traveste apenas; inopinada e espetaculosamente, suas previsões só se descumprem se o ouvinte descuidar e as entender. A culpa não é nossa se ela desconcertar o cliente. Só podemos desejar boa sorte aos que se aventurarem – Dante diria lasciate ogni speranza … – e garantir que não se arrependerão da consulta.
O Fanzine:

Clique aqui para ler a Cassandra

Boa Sorte, bem-vindo.

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